HealthCare.gov: o que salvou o site não foi só colocar mais gente
Por Dorian Chávez · fundador e CEO da Hábil ·
Em 1º de outubro de 2013, só seis pessoas enviaram uma solicitação e escolheram um plano. Como uma resposta integrada recuperou o HealthCare.gov em dois meses.
Caso real e público. A Hábil não participou do HealthCare.gov. Nós o analisamos a partir dos relatórios do governo dos Estados Unidos e da imprensa; as fontes estão no final.
É meia-noite de 1º de outubro de 2013. O pessoal terceirizado que opera o sistema de contas e identidade do HealthCare.gov vê o site entrar no ar. Ele acaba de abrir, e por ele milhões de pessoas devem comparar e contratar um seguro de saúde. Um deles se lembraria assim diante dos auditores: «Estávamos sentados no escritório à meia-noite quando começou a rodar, e não parecia nada bem. Tudo estava ficando vermelho nas nossas telas» (tradução própria) [1].
Naquele dia chegaram ao site 250.000 usuários ao mesmo tempo, muitas vezes mais do que o planejado. As quedas começaram duas horas depois da abertura. No fim do dia, segundo o relatório do Inspetor-Geral do Departamento de Saúde dos Estados Unidos, só seis pessoas conseguiram enviar uma solicitação e escolher um plano [1].
Seis. No site que devia atender milhões de pessoas em 36 estados [1].
Esta é a história de como esse site se recuperou em cerca de dois meses. Não a conto pela política nem pelo seguro de saúde. Conto-a porque qualquer diretor de tecnologia já esteve, em escala menor, na mesma sala: um sistema que não pode falhar, uma data que não se move e alguém à mesa dizendo «vamos colocar mais gente». O interessante do caso é que isso já tinha sido tentado, e sozinho não bastou. O site se recuperou quando, além de somar gente, mudou a forma de trabalhar: um núcleo pequeno de engenheiros experientes, integrado em uma única mesa com a agência e os fornecedores, métricas do sistema inteiro e prioridades cortadas sem dó. Os auditores apontam várias causas, não uma só [1].
Setenta e duas horas antes
O problema não começou em 1º de outubro. Os auditores do governo o rastreiam anos para trás. O Inspetor-Geral (OIG, o escritório que audita o Departamento de Saúde) entrevistou 86 funcionários e fornecedores e revisou milhares de documentos. A conclusão principal cabe em uma linha: o mais grave foi a ausência de uma liderança clara, que atrasou decisões, deixou tarefas mal definidas e impediu enxergar o tamanho do problema enquanto ele crescia [1].
Os últimos dias antes do lançamento parecem escritos para um filme.
Em 24 de setembro, a responsável pela segurança da informação da agência que construía o site (CMS, os Centros de Serviços do Medicare e do Medicaid) advertiu que uma peça central não cumpria razoavelmente os requisitos de segurança. No dia 27, em vez de uma permissão normal, a Administradora do CMS assinou uma autorização provisória para operar por seis meses [1].
Em 26 de setembro, a menos de cinco dias da estreia, técnicos do CMS fizeram testes de carga e descobriram que o site suportava muito menos usuários simultâneos do que o planejado. Foram de carro direto aos escritórios do fornecedor de infraestrutura e pediram que ele dobrasse toda a capacidade em 72 horas. Um gerente do fornecedor contou assim: «O pedido era dobrar tudo a 72 horas do lançamento. […] Alugamos aviões para trazer equipamento que estava destinado a outros clientes» (tradução própria) [1].
Em 29 de setembro, o sistema de contas e identidade, a porta pela qual cada usuário devia passar, sofreu quedas. Nesse mesmo dia, a Administradora do CMS escreveu ao diretor de tecnologia dos Estados Unidos que o site estaria pronto em 1º de outubro [1].
Há um detalhe que o relatório destaca e que vale para qualquer empresa: várias pessoas da equipe acreditavam que a data do site estava na lei. Não estava. A lei exigia que a cobertura começasse até 1º de janeiro de 2014 e deixava ao Departamento de Saúde fixar o período de inscrição, que por regulamentação começou em 1º de outubro de 2013 [1]. Somava-se a isso a política: a Casa Branca tinha se comprometido publicamente com essa data, e no Departamento temia-se que um atraso desse argumentos a quem buscava revogar a lei no Congresso [1]. A data que ninguém se atrevia a mover não vinha da lei, e sim de uma regulamentação e da política. E ninguém na direção do CMS discutiu formalmente movê-la [1].
E mais um: não houve testes completos de ponta a ponta. Um fornecedor resumiu para os auditores: «Os testes de ponta a ponta são críticos. Não fazê-los é suicídio» (tradução própria) [1].
Já se tinha tentado somar gente
Aqui está o dado que quase ninguém conta sobre o caso.
Em agosto de 2013, dois meses antes do lançamento, o CMS viu que o projeto estava muito atrasado e reagiu como quase qualquer organização reagiria: designou temporariamente mais 60 pessoas de outras áreas para se somar às 51 que já trabalhavam no site. Um aumento de 117% [1].
Não foi suficiente. O próprio relatório registra o que alguns dos envolvidos sentiram: que já era tarde para envolver outros, pela curva de aprendizado íngreme, e que tinham vergonha de «colocar outros em uma bagunça» (tradução própria) [1].
Em 1975, Frederick P. Brooks Jr., que tinha dirigido o desenvolvimento do sistema operacional OS/360 na IBM, escreveu em The Mythical Man-Month uma frase hoje conhecida como a lei de Brooks: «Adicionar pessoal a um projeto de software atrasado o atrasa ainda mais» (tradução própria) [5]. O raciocínio dele: o trabalho não se divide em pedaços independentes, cada pessoa nova precisa que alguém lhe explique, e os canais de comunicação crescem mais rápido que a equipe.
Convém ser preciso. O relatório do OIG não cita Brooks, e não se pode afirmar que essas 60 pessoas atrasaram o site. O que ele documenta é que somá-las tarde, sem uma liderança clara e sobre um projeto desorganizado, não evitou o desfecho. A relação com Brooks é minha, e a ofereço como leitura, não como achado dos auditores.
Duas semanas às cegas
Depois de 1º de outubro, a primeira reação também foi mandar mais gente. Em poucos dias, pessoal do CMS e do fornecedor principal se instalou na central de comando do fornecedor em Herndon, Virgínia, e outros fornecedores foram se juntando [1].
Mas havia um problema de fundo: ninguém via o sistema inteiro. Cada fornecedor vigiava a própria peça e não conseguia ver as demais, embora todas trabalhassem juntas. Havia várias «centrais de comando» em lugares diferentes, uma em Herndon e outra em Columbia, Maryland, cada uma com as próprias ferramentas, e nenhum líder ou equipe com visão do sistema inteiro e autoridade para agir. Ninguém atuava formalmente como integrador de sistemas [1].
Um dos engenheiros que chegariam depois disse isso em uma conferência em 2014: «Não havia onde ver se o site estava no ar ou não, a não ser a CNN, que foi literalmente como ficamos sabendo dos problemas boa parte do tempo no começo» (tradução própria) [1].
Para complicar ainda mais, na manhã do lançamento o governo federal fechou por falta de orçamento. A paralisação durou 16 dias, e o pessoal dos escritórios-chave do projeto foi reduzido a cerca de um terço [1].
Enquanto isso, o site quase não inscrevia ninguém. Segundo a TIME, em todo o mês de outubro 26.794 pessoas se inscreveram pelo mercado federal [4]. E a capacidade real, segundo um membro da equipe que depois o consertou, era de «talvez alguns milhares de usuários» (tradução própria), quando o número oficial falava em 50.000 [4].
17 de outubro: remendar ou jogar fora?
Em 17 de outubro, segundo a reconstituição do jornalista Steven Brill na TIME, discutia-se na Casa Branca se valia a pena consertar o site ou descartá-lo e começar do zero [4]. Nesse dia, Todd Park, então diretor de tecnologia da Casa Branca, mudou de trabalho sem mudar de escritório: «Em 17 de outubro, passei de CTO da Casa Branca a consertador do HealthCare.gov em tempo integral» (tradução própria) [4].
Park recrutou um grupo de engenheiros que não tinham participado da construção. O OIG os descreve como «vários líderes e engenheiros das principais empresas de tecnologia» (tradução própria) [1]. Entre eles estava Mikey Dickerson, engenheiro de confiabilidade de sites no Google, ou seja, alguém cujo trabalho diário era fazer com que um site enorme não caísse [4]. Um detalhe do relatório diz muito sobre como chegaram: em grande parte doaram o próprio tempo, embora, pelas regras de contratação do governo, tenham sido pagos por hora por meio de um dos fornecedores [1].
A primeira coisa que fizeram não foi programar correções. Foi medir. Na noite da sexta-feira, 18 de outubro, segundo a TIME, Gabriel Burt, diretor de tecnologia de uma empresa de análise de dados, e outros passaram cerca de cinco horas montando um painel, porque o site não tinha uma forma rápida de saber o que estava acontecendo [4]. Com esse painel encontraram uma das primeiras correções rápidas: na noite de 22 de outubro, o tempo de carregamento de uma página caiu de oito segundos para dois [4].
Nesse mesmo 22 de outubro, a Secretária de Saúde anunciou publicamente o que chamou de «tech surge», uma onda tecnológica: Jeff Zients, administrador com experiência em dirigir empresas, juntava-se como assessor de gestão, com «especialistas» do governo, dos fornecedores e da indústria, «incluindo veteranos das principais empresas do Vale do Silício» e «um punhado» de integrantes do programa Presidential Innovation Fellows da Casa Branca (tradução própria) [3].
Primeira decisão importante, tomada com esse grupo: refatorar o código existente, não reconstruir do zero. Começar de novo teria custado um tempo que não havia, e o pessoal da agência e dos fornecedores estava disposto a trabalhar com os recém-chegados [1].
A sala de Columbia
No fim de outubro, a central de comando se mudou para uma sala de uns 370 metros quadrados (4.000 pés quadrados) que um dos fornecedores alugava em um parque de escritórios em Columbia, Maryland [4]. Com o tempo, ela se tornaria o centro de operações formal do site [1].
Dickerson convocou a primeira reunião em pé em 24 de outubro. A partir daí, todos os dias, inclusive nos fins de semana, durante outubro e novembro: às 10h e às 18h30, cerca de 45 minutos cada uma, com uma linha telefônica aberta 24 horas para que quem trabalhava em outro lugar pudesse falar com os demais assim que surgisse algo [4].
As regras, ele as colou em uma parede, do lado de fora da sala de controle. A TIME as reproduz [4]:
- «A sala e as reuniões são para resolver problemas. Há muitos outros lugares onde as pessoas dedicam a energia criativa a jogar a culpa nos outros» (tradução própria).
- «Quem deve falar são as pessoas que mais sabem de um assunto, não as de maior cargo» (tradução própria).
- «É preciso se concentrar no mais urgente, como o que vai nos ferir nas próximas 24 a 48 horas» (tradução própria).
O relatório do OIG descreve a mesma mudança com outras palavras. Adotou-se uma cultura «sem crachá e sem cargo» (tradução própria): as tarefas eram atribuídas por habilidade e disponibilidade, sem importar se a pessoa era funcionária do governo ou de qualquer fornecedor [1]. Pela primeira vez, a equipe técnica e a de políticas do programa trabalhavam juntas. Um dos engenheiros descreveu assim: «Tínhamos o pessoal de políticas decifrando as mensagens de erro. O que o código fazia ou não fazia? O que deveria acontecer?» (tradução própria) [1]. E a agência contratou um integrador técnico de sistemas, alguém cujo trabalho era fazer com que todas as peças conversassem entre si. Segundo o relatório, isso melhorou a coordenação «na opinião de todos» (tradução própria) [1].
Há uma frase de um funcionário do CMS, registrada pelos auditores, que resume o caso melhor do que qualquer análise: «O CMS não precisava de uma onda tecnológica; precisávamos de uma onda organizacional» (tradução própria) [1].
E a pressão para colocar mais gente? Continuava lá. Brill conta assim: Zients tinha «carta branca para adicionar recursos», mas pôr dez pessoas em uma correção que um programador levaria dez dias para fazer não a transforma em um projeto de um dia. «Programar não funciona assim» (tradução própria) [4].
O relógio de novembro
Em 25 de outubro, Zients fixou publicamente uma meta: o site funcionaria bem para a grande maioria dos usuários no fim de novembro [1]. Os líderes técnicos da sala disseram depois aos auditores que não foram consultados sobre essa data [1].
O caminho até essa meta foi duro. No fim de outubro, duas falhas no equipamento do fornecedor de infraestrutura deixaram o site fora do ar por 24 e 36 horas [1]. Alguns dormiram em hotéis próximos e trabalharam em turnos de 24 horas [1]. «Foram dias sombrios», disse um funcionário (tradução própria) [1].
Mas os números começaram a se mexer. Segundo o relatório do CMS de 1º de dezembro, citado pelo OIG, o tempo em que o site estava funcionando passou de 42% no início de novembro para mais de 90% no fim de novembro [1]. (A TIME reportou 43% e 95% [4]; uso o número do relatório oficial.) Em 1º de dezembro, o site aguentava mais de 35.000 usuários simultâneos sem cair, segundo o OIG; a TIME falou em pelo menos 50.000 [1][4]. Agora havia painéis de desempenho do sistema inteiro e, quando a carga transbordava, uma «sala de espera» que pedia ao usuário que aguardasse ou deixasse o e-mail [1].
O prazo para ter cobertura em 1º de janeiro foi estendido de 15 para 24 de dezembro. No último dia, o site recebeu 49.156 usuários simultâneos, segundo o OIG [1]; a TIME reportou um pico maior, de 83.000, em 23 de dezembro [4]. Em 28 de dezembro, cerca de 1,2 milhão de pessoas tinham escolhido um plano pelo HealthCare.gov [1]. Ao fechar o primeiro período de inscrição, 5,4 milhões de pessoas tinham escolhido um plano no mercado federal [1].
De seis pessoas no primeiro dia a mais de um milhão em dezembro.
O que custou
O resgate não apagou a conta. O OIG relata que seis contratos-chave foram estimados no início em 464 milhões de dólares e, no começo de 2014, já eram calculados em 824 milhões; o do sistema central passou de 58 para 207 milhões [1]. O Escritório de Prestação de Contas do governo (GAO) concluiu que o site foi lançado sem verificar se cumpria os requisitos de desempenho, e que as obrigações do contrato do sistema central cresceram de 56 para mais de 209 milhões entre setembro de 2011 e fevereiro de 2014 [2].
Em janeiro de 2014, o CMS trocou de fornecedor principal. O fornecedor que saía, diz o OIG, ficou sabendo pelo Washington Post, dias antes da chegada do novo [1].
O que este caso ensina
1. Somar gente não basta, e às vezes atrapalha
Houve duas ondas de gente. A de agosto de 2013, mais 60 pessoas sobre um projeto sem liderança clara, não evitou o desastre [1]. A de outubro, que também somou pessoal da agência, dos fornecedores e do setor privado, a maior parte em três semanas [1], fez parte da recuperação, porque chegou acompanhada de liderança, métricas, integração e prioridades claras [1]. O caso não permite atribuir o resultado a um único fator.
Sejamos honestos com o dado: o resgate não foi feito com menos gente. Foi feito com gente diferente, organizada de outra forma. A diferença não esteve no número, e sim em quem chegou, como se integrou e com que instrumentos trabalhou. Brooks tinha razão no que advertiu, mas o caso não diz «nunca adicione pessoas». Diz: não espere que o número resolva o que a organização não resolve.
2. Um núcleo pequeno, experiente e integrado
O núcleo que chegou em meados de outubro era pequeno: «vários» engenheiros, segundo o OIG; «um punhado» de integrantes desse programa da Casa Branca, segundo o anúncio oficial [1][3]. Não chegaram para fazer o trabalho de todos. Chegaram com experiência em sites que não caem, sentaram-se com os engenheiros dos fornecedores, que já conheciam o código, e os dirigiram. A TIME fala de «dezenas» de engenheiros, dispostos e até entusiasmados, que esse núcleo coordenou (tradução própria) [4].
Esse núcleo foi uma peça, não a explicação inteira. Entre os fatores-chave da recuperação, o OIG destaca que todo o pessoal do CMS e dos fornecedores tenha trabalhado como uma única equipe, sem crachá, e uma «priorização implacável» (tradução própria) que alinhou o trabalho às metas mais importantes e alcançáveis [1].
A palavra-chave é integrado. Sem crachá e sem cargo: quem sabe, fala; quem pode, assume a tarefa. Um engenheiro externo que chega para «auditar» de fora acrescenta uma camada. Um que se senta na mesma sala, com as mesmas regras, tira uma.
3. Medir antes de consertar
A primeira coisa foi um painel montado em uma noite [4]. Antes disso, a melhor fonte para saber se o site estava no ar era a televisão [1]. Sem métricas, cada pessoa nova opina; com métricas, cada pessoa nova ataca o que o painel aponta.
4. Uma única mesa, com regras
Não mais uma reunião diária, e sim a reunião: uma única sala, dois cortes por dia, 45 minutos, uma linha aberta permanente e três regras na parede [4]. Discute-se o que dói nas próximas 24 a 48 horas, fala quem sabe e não se buscam culpados. É o oposto de várias centrais de comando que não se enxergam [1].
5. Alguém responsável por fazer tudo conversar
Antes do lançamento, ninguém atuava como integrador de sistemas e cada fornecedor olhava a própria peça [1]. No resgate, a agência contratou um [1]. Quando um sistema é feito de muitas peças e muitos fornecedores, alguém tem de ser dono das junções. Se ninguém for, o problema mora exatamente ali.
6. A data que ninguém move merece uma pergunta
A data de 1º de outubro não era fixada pela lei: saiu de uma regulamentação e era sustentada por um compromisso político, e ninguém discutiu formalmente movê-la [1]. Antes de somar gente para chegar a uma data, vale a pena perguntar quem a fixou, o que acontece se ela for movida e qual é o mínimo que deve funcionar nesse dia.
Aplicação: dois engenheiros-chave a menos antes do Buen Fin
Cenário (ilustrativo, sem cliente nem caso real). Aplico as lições do HealthCare.gov a uma situação que muitos diretores no México reconhecerão.
É setembro. O comércio eletrônico da empresa se prepara para o Buen Fin, o fim de semana de novembro em que se concentra boa parte das vendas do ano. Em uma mesma quinzena, pedem demissão os dois engenheiros que melhor conhecem a integração entre a loja, o estoque e os pagamentos. Restam sete semanas.
A reação natural é a de agosto de 2013: «vamos contratar cinco». As lições do caso sugerem outra ordem:
- Primeiro, medir. Antes que eles saiam, peça uma sessão para deixar à vista o que só eles viam: que alertas revisavam, que painéis, que processos reiniciavam à mão. Se não existir um painel do fluxo de compra completo (da loja ao pagamento e ao estoque), esse é o primeiro entregável, não o último.
- Depois, somar poucos e experientes. Não cinco perfis genéricos que é preciso treinar a sete semanas da alta temporada. Um ou dois engenheiros que já tenham trabalhado em integrações parecidas e em temporadas de alto volume, que a equipe da empresa possa entrevistar antes de começar.
- Integrá-los, não designá-los. Que entrem com as contas da empresa, nos repositórios dela, no horário dela e nas reuniões dela. Sem «equipe do fornecedor» e «equipe da casa»: uma única mesa.
- Uma reunião curta, com regras. Dois cortes por dia nas semanas anteriores, focados no que pode derrubar as vendas nas próximas 48 horas.
- Cortar sem dó. O que não for indispensável para vender, cobrar e entregar nesse fim de semana fica para depois.
- Revisar a data de cada mudança, não a do Buen Fin. Essa não se move. Mas a do redesenho do carrinho, a do novo gateway de pagamento ou a da migração do catálogo, talvez sim.
Posto assim, o Buen Fin não se ganha com mais gente. Ganha-se com a gente certa, a tempo e sentada à mesma mesa.
Cinco perguntas para o próximo comitê
- Se amanhã saírem os dois engenheiros que mais sabem das nossas integrações, o que deixa de funcionar, e alguém mais sabe disso?
- Temos um painel do fluxo completo que importa ao negócio, ou cada área vigia só a própria peça?
- Quem é dono das junções entre os nossos sistemas e os nossos fornecedores?
- Quando somamos pessoas a um projeto atrasado, quanto tempo levam para ser úteis, e quem as integra?
- As datas que «não podem ser movidas» estão em um contrato, em uma lei ou em uma apresentação?
Se duas ou mais respostas forem «não sei», ali pode estar o próximo outubro da empresa.
O que a Hábil faz quando falta conhecimento crítico
A Hábil é uma consultoria mexicana de engenharia, fundada em 2006, que soma engenheiros seniores a equipes de empresas no México e nos Estados Unidos. Não mandamos «mais gente»: apresentamos perfis com experiência em integração, nuvem e sistemas regulados que a empresa entrevista e valida antes de começar, e que trabalham dentro dos controles dela: com a identidade da empresa, nos repositórios dela e em uma janela diária de horário compartilhado com a equipe.
É possível começar com um ou dois engenheiros que se integram à equipe, com uma célula que nós coordenamos ou com um projeto de escopo fechado. Veja a página Somar engenheiros à equipe.
Peça a primeira conversa, sem custo. Ela parte do que a empresa precisa sustentar ou construir, de qual perfil convém e em que forma de trabalho. Escreva-nos pelo WhatsApp.
Perguntas frequentes
O que foi o «tech surge» do HealthCare.gov?
Foi o nome que o Departamento de Saúde dos Estados Unidos deu, em 22 de outubro de 2013, ao reforço para consertar o site: um assessor de gestão, Jeff Zients, e especialistas do governo, dos fornecedores e de empresas de tecnologia [3]. O núcleo técnico foi recrutado pela Casa Branca com engenheiros que não tinham construído o site [1].
Quanto tempo levou o resgate?
O OIG conclui que o CMS recuperou o site para uso intenso em cerca de dois meses: a meta de melhoria foi cumprida em 1º de dezembro de 2013 [1].
O que diz a lei de Brooks?
Em tradução livre: «Adicionar pessoal a um projeto de software atrasado o atrasa ainda mais» (tradução própria). Vem do livro The Mythical Man-Month, de Frederick P. Brooks Jr., publicado em 1975 [5]. É uma advertência, não uma proibição: o custo está no tempo que leva integrar cada pessoa e na comunicação que se multiplica.
Então nunca convém somar engenheiros a um projeto atrasado?
O caso não diz isso. Em outubro de 2013 somou-se gente e o site se recuperou, mas essa gente chegou com experiência, integrou-se em uma única mesa sem distinção de empregador e trabalhou com métricas e prioridades cortadas [1][4]. O caso não permite atribuir o resultado a um único fator. O que não bastou foi somar sem liderança nem visibilidade [1].
A Hábil participou do caso HealthCare.gov?
Não. É um caso público, documentado pelo governo dos Estados Unidos e pela imprensa. Nós o usamos porque as lições dele se aplicam a qualquer equipe que sustenta um sistema que não pode falhar.
Quanto tempo um engenheiro da Hábil leva para se integrar à minha equipe?
Depende de três coisas: o perfil de que a empresa precisa, as entrevistas com que a equipe o valida e o tempo que a empresa leva para lhe dar contas e acessos aos repositórios. Na primeira conversa definimos o perfil e indicamos quão cedo pode começar no contexto da empresa.
As citações foram traduzidas do inglês. Os números são os que cada fonte reporta; quando duas fontes não coincidem, o texto diz isso e usa a oficial.
Referências
- U.S. Department of Health and Human Services, Office of Inspector General, HealthCare.gov: Case Study of CMS Management of the Federal Marketplace, OEI-06-14-00350, fevereiro de 2016 (publicado em 22-fev-2016 segundo o índice do OIG). https://oig.hhs.gov/oei/reports/oei-06-14-00350.asp · PDF: https://oig.hhs.gov/documents/evaluation/2981/OEI-06-14-00350-Complete%20Report.pdf
- U.S. Government Accountability Office, Healthcare.gov: Ineffective Planning and Oversight Practices Underscore the Need for Improved Contract Management, GAO-14-694, 30 de julho de 2014. https://www.gao.gov/products/gao-14-694
- Kathleen Sebelius, Secretária de Saúde e Serviços Humanos, «A Technology Surge for HealthCare.gov», blog HHS Digital Strategy, 22 de outubro de 2013. http://www.hhs.gov/digitalstrategy/blog/2013/10/technology-surge-for-healthcare-gov.html (cópia arquivada: https://web.archive.org/web/20140820173427/http://www.hhs.gov/digitalstrategy/blog/2013/10/technology-surge-for-healthcare-gov.html)
- Steven Brill, «Obama's Trauma Team», TIME, publicado on-line em 27 de fevereiro de 2014 (edição impressa de março de 2014, citada pelo OIG como «Code Red», vol. 183, n.º 9, 4-mar-2014). https://time.com/10228/obamas-trauma-team/
- Frederick P. Brooks Jr., The Mythical Man-Month: Essays on Software Engineering, Addison-Wesley, 1975 (edições posteriores em 1982 e 1995).
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