O painel diz que está tudo bem. De onde saem esses números?
Por Dorian Chávez · fundador e CEO da Hábil ·
O balanced scorecard falha quando os indicadores são montados à mão. Um diagnóstico com limiares, o IVA em risco e a ficha para o comitê da empresa.
Conteúdo
- Em 1 minuto
- Uma empresa pode melhorar em tudo e ainda assim perder valor?
- O que Kaplan e Norton propuseram, em duas linhas?
- Por que um bom painel acaba virando uma planilha em que ninguém acredita?
- Como é a ordem certa em uma empresa mexicana?
- O que medir no México tem de diferente?
- Quão longe a empresa está? Um diagnóstico com limiares
- O que quebra nos sistemas e o que convém decidir antes?
- Quais erros saem mais caros?
- O que levar à reunião? A ficha de cada indicador
- Por onde começar na segunda-feira?
- Para levar
- O que a Hábil faz
Cenário de exemplo (não descreve uma empresa real): é dia 12 e começa a reunião de resultados do mês. Vendas diz que vendeu 18,4 milhões. Finanças diz 17,1. Operações traz um terceiro número, porque conta o que saiu do armazém.
Os três têm razão. A primeira hora vai embora tentando descobrir qual número é «o certo». A decisão que ia ser tomada, contratar ou não dois vendedores, fica para o mês seguinte.
Este artigo não é sobre painéis bonitos. É sobre algo menos vistoso e mais caro: de onde saem os números com que a diretoria decide.
Um esclarecimento antes de começar: a Hábil não participou dos casos mencionados aqui nem trabalhou com essas empresas. Contamos os casos com o que publicaram os autores do modelo, o SAT (a autoridade tributária do México) e o INEGI (o instituto nacional de estatística do México).
Em 1 minuto
- O risco: decidir com indicadores que chegam atrasados, que cada área calcula de um jeito e que alguém monta à mão em uma planilha. A diretoria acha que tem controle e tem uma opinião com casas decimais.
- O que diz o modelo: em 1992, Kaplan e Norton propuseram medir a empresa com poucos indicadores em quatro frentes, não só a financeira. E alertaram que um sistema de informação que não responde pode ser o ponto fraco [1].
- O caso: uma empresa de eletrônicos multiplicou por dez a qualidade entre 1987 e 1990, e a ação caiu para um terço [1]. Media muito; não media o que se conectava com o dinheiro.
- O custo de não agir: o IVA (impuesto al valor agregado, o imposto mexicano sobre o valor agregado) que a empresa não consegue creditar porque falta o comprovante ou o complemento de pagamento sai do caixa. À alíquota geral de 16%, um milhão de pesos em compras mal documentadas são 160.000 pesos de IVA em risco [8][9]. Some as horas de quem monta o pacote à mão, pelo custo por hora.
- A decisão de segunda-feira: ficar com poucos indicadores (os autores descrevem scorecards de 15 a 20 por unidade de negócio [3]; comece por cinco) e, antes de comprar qualquer painel, exigir que cada um tenha o sistema de origem, o responsável e a definição por escrito.
Uma empresa pode melhorar em tudo e ainda assim perder valor?
Sim: uma empresa pode deixar no verde os indicadores de operação e mesmo assim não ganhar mais dinheiro.
Entre 1987 e 1990, uma empresa de eletrônicos listada na Bolsa de Nova York fez quase tudo certo. É assim que Robert Kaplan e David Norton contam no artigo de 1992 [1]:
| Indicador | 1987 | 1990 |
|---|---|---|
| Peças defeituosas que saíam da fábrica | 500 por milhão | 50 por milhão |
| Entregas no prazo | 70% | 96% |
| Rendimento de produção | 26% | 51% |
| Preço da ação | o valor de julho de 1987 | um terço desse valor |
A operação melhorou dez vezes em qualidade. As finanças quase não se mexeram, e a ação despencou [1]. Segundo os autores, a empresa lançava produtos novos muito devagar e não saiu em busca de clientes novos, talvez mais exigentes; isso a impediu de aproveitar as melhorias [1].
No artigo de 1992 essa empresa não tem nome. Kaplan contou depois uma cena parecida, desta vez com nome: a da Analog Devices, uma fabricante de semicondutores [5].
Em 1990, o vice-presidente de qualidade e produtividade da Analog, Arthur Schneiderman, contou a Kaplan e Norton que todos os indicadores de qualidade do painel dele tinham melhorado de forma notável. E que, ao mesmo tempo, a ação tinha caído cerca de 70% em três anos [5]. A Analog serviu de protótipo para o modelo [3].
A lição não é «a qualidade não importa». É outra: medir muito não é o mesmo que medir o que se conecta com o dinheiro. E, para conectar, os números da fábrica, de vendas e de finanças precisam conversar entre si.
O que Kaplan e Norton propuseram, em duas linhas?
O modelo cabe em duas linhas: poucos indicadores, em quatro frentes, que digam hoje como vai ser amanhã.
O balanced scorecard, que em espanhol se conhece como cuadro de mando integral e no Brasil costuma manter o nome em inglês, mede a empresa com um punhado de indicadores em quatro frentes, não só a financeira. As finanças dizem como foi; as outras três frentes avisam como vai ser [1].
Robert Kaplan, da Harvard Business School [5], e David Norton o publicaram na Harvard Business Review, na edição de janeiro–fevereiro de 1992 [1][2]. Ele nasceu de um projeto de pesquisa de um ano com 12 empresas [1][5].
Os autores o comparam ao painel de instrumentos da cabine de um avião: um conjunto de indicadores relacionados que, juntos, dão uma visão mais completa [1]. As quatro frentes:
| Frente | A pergunta do modelo [1] | Um indicador de exemplo |
|---|---|---|
| Financeira | Como os acionistas nos veem? | Fluxo de caixa do mês |
| Cliente | Como os clientes nos veem? | Entregas no prazo, com a definição do cliente |
| Processos internos | Em que precisamos ser excelentes? | Pedidos atendidos completos na primeira tentativa |
| Aprendizado | Conseguimos continuar melhorando e criando valor? | Vendas de produtos lançados nos últimos dois anos |
Em 1992 a quarta frente se chamava «inovação e aprendizado»; em textos posteriores, os autores a chamaram de «aprendizado e crescimento» [1][4]. Os indicadores de exemplo da tabela são nossos.
Dois detalhes do artigo original importam mais que o desenho. O primeiro: os autores insistem em limitar o número de indicadores [1]. Um ano depois, descreveram scorecards de 15 a 20 indicadores por unidade de negócio, e que, ao lê-los, desse para adivinhar a estratégia da unidade [3]. Não é um teto nem um mínimo.
Contam, além disso, de um executivo que chamava a mania de acrescentar um indicador cada vez que alguém tinha uma boa ideia, em tradução livre, de programa «mate mais uma árvore» [1].
O segundo detalhe está nos sistemas de onde saem os números.
Por que um bom painel acaba virando uma planilha em que ninguém acredita?
O balanced scorecard pode falhar não pelos indicadores que escolhe, mas pelos sistemas de onde os tira.
No artigo de 1992, Kaplan e Norton ilustram o método com uma fabricante de semicondutores que chamam, com um nome inventado, de Electronic Circuits Inc., ou ECI [1]. Duas cenas da ECI vão soar familiares.
Cena 1: «no prazo» não significava a mesma coisa para ninguém. A ECI considerava uma entrega no prazo se ela chegasse dentro de uma janela de sete dias. Alguns clientes usavam cinco dias; outros, nove. A ECI decepcionava uns e se esforçava demais com outros [1]. O indicador existia. A definição, não.
Cena 2: o painel chegava atrasado à reunião. A maior preocupação dos diretores da ECI era que a informação não chegava a tempo: os relatórios ficavam, em geral, uma semana atrás das reuniões de diretoria [1].
Faltava à ECI, dizem os autores, um sistema de informação operacional que fornecesse esses dados [1].
Se o sistema de informação não responde, alertam, «it can be the Achilles' heel of performance measurement»: pode ser o calcanhar de Aquiles de toda a medição [1].
No guia de implementação dos autores, um dos passos é justamente esse: ligar os indicadores às bases de dados e aos sistemas de informação [3].
O alerta de um executivo que o usou. Em uma entrevista com Kaplan publicada em 1993, Larry Brady, da FMC Corporation, disse que o erro era tratar o balanced scorecard como um sistema de medição novo, que acaba pedindo centenas e milhares de indicadores e um sistema de informação executiva grande e caro. Para ele, o scorecard tinha de ser o centro da forma de dirigir, não um sistema de relatórios [3].
Traduzido para a empresa: o problema pode não ser a falta de um painel. É que cada número do painel é montado por uma pessoa, à mão, cruzando três sistemas que não conversam entre si. Por isso chega atrasado, por isso não bate e por isso ninguém acredita nele.
Como é a ordem certa em uma empresa mexicana?
Primeiro se decide o que medir e de onde sai cada número; a tela vem no final.
Procuramos um caso público de uma empresa mexicana que contasse, com números e em ordem, como conectou os indicadores aos sistemas. Não encontramos: os relatórios anuais que revisamos mencionam painéis ou sistemas novos, mas não esse percurso com números. Por isso vai um cenário, marcado como tal.
Cenário de exemplo (empresa fictícia; os números sem número de referência são ilustrativos, não são uma média nem uma promessa): uma distribuidora de material elétrico com 140 pessoas e duas razões sociais. Fatura em um sistema, faz a contabilidade em outro e concilia o banco em planilhas. É a empresa da reunião do dia 12.
| Momento | O que faz | Quem e quantas horas internas | O que encontra |
|---|---|---|---|
| Mês 0 | Pede a lista de tudo o que chega à diretoria | Controller: 6 h | 41 indicadores; o pacote chega no dia 12; três pessoas dedicam a ele 60 horas por mês |
| Mês 1 | Escolhe 18 e preenche a ficha de cada um | Controller e três gerentes: 25 h | 7 dos 18 não têm definição escrita; «venda» é calculada de três formas |
| Mês 2 | Dá a cada indicador um responsável e uma definição assinada | Diretoria, vendas e controladoria, em três reuniões: 18 h | A venda oficial é a faturada, líquida de notas de crédito |
| Meses 3 a 8 | Conecta o download do SAT, o banco e o sistema contábil para os cinco indicadores que mais custam horas | Sistemas e controladoria: 120 h | 240.000 pesos de IVA em risco, sobretudo pagamentos sem complemento, que ninguém via até o fechamento |
| Mês 5: o tropeço | Descobre que a segunda razão social usa outro cadastro de clientes e os cruzamentos não batem | Sistemas: 40 h extras e um mês de atraso | É preciso unificar o cadastro antes de seguir |
| Mês 9 | Revisa os indicadores fiscais toda segunda-feira | Controller: 2 h por semana | O pacote chega no dia 5; a digitação cai de 60 para 15 horas por mês |
| Mês 12 | Só então escolhe como apresentar | — | A tela mostra números que já batem |
Use como modelo: troque os números ilustrativos pelos da empresa em três fórmulas.
- O que o pacote custa hoje = horas de digitação por mês × custo por hora de quem digita. No cenário, com 250 pesos a hora: 60 × 250 = 15.000 pesos por mês antes, e 15 × 250 = 3.750 depois.
- IVA em risco = IVA dos pagamentos do mês sem CFDI (a nota fiscal eletrônica mexicana) + sem complemento de pagamento + a fornecedores na lista definitiva do 69-B (a lista do SAT prevista nesse artigo do CFF, o Código Fiscal de la Federación, código tributário federal do México). À alíquota geral de 16% [8], os 240.000 pesos do cenário equivalem a 1,5 milhão de pesos em compras mal documentadas.
- O que o projeto custa = horas internas × custo por hora, mais o software. No cenário: 209 horas × 250 = 52.250 pesos de tempo interno, que se recuperam em menos de cinco meses de digitação economizada.
Duas precisões. O dia 12 ou o 5 é quando o pacote chega à diretoria. Não compare com a mediana de 6,4 dias da APQC, que mede outra coisa: do balancete de verificação às demonstrações consolidadas [12].
E o prazo. Na National, a seguradora que os autores descrevem, levou 30 meses [4], mas lá se refez todo o sistema de gestão. Aqui só se conectam cinco indicadores. Por isso são 12 meses.
Repare na ordem. A tela chega no mês 12, não no mês 1. O caro do cenário não é o software: são as definições, os responsáveis e as conexões entre sistemas.
É a mesma ordem que os autores sugerem: poucos indicadores, ligados à estratégia e aos sistemas de informação [1][3]. E é justamente o que Brady pedia para não inverter: primeiro a forma de dirigir, depois a ferramenta [3].
O que medir no México tem de diferente?
No México, boa parte da matéria-prima da frente financeira já existe no SAT; o que falta é cruzá-la com o banco e com o sistema contábil.
Kaplan e Norton escreveram em 1992. Não conheciam o CFDI. No México, cada venda e cada compra faturada já existe em formato digital: em 2023 foram emitidas mais de 10.323 milhões de notas fiscais eletrônicas, uma média de 327 por segundo, segundo o SAT [6][7].
A vantagem: a matéria-prima já está digitalizada. A armadilha: cruzar essas notas com o que a empresa recebeu, pagou e registrou é tarefa dela, e não acontece sozinho.
Cinco regras fiscais transformam esse cruzamento em dinheiro:
- O IVA tem vários requisitos para ser creditado. Entre eles, a Ley del IVA (LIVA, a lei mexicana do IVA) exige que o imposto conste em separado no comprovante fiscal e que tenha sido efetivamente pago no mês. Há outros: que o gasto seja estritamente indispensável e, em certos casos, retenções recolhidas ou documentação adicional [8].
- Cada pagamento diferido leva o próprio comprovante. Se uma nota não é paga em uma única parcela, ou é paga depois de emitida, para cada pagamento se emite outro CFDI: o chamado complemento de pagamento [9].
- Se a empresa recebe e não emite o complemento, a infração é dela. Não emitir um CFDI que a lei exige é infração, se a autoridade a descobrir em uma fiscalização: multa de 22.300 a 127.530 pesos para uma empresa do regime geral e, em caso de reincidência, possível fechamento do estabelecimento de 3 a 15 dias [9]. E o cliente fica sem o comprovante do pagamento do qual depende o IVA dele.
- Uma dedução precisa do comprovante a tempo. A Ley del ISR (LISR, a lei mexicana do imposto de renda) exige que a dedução esteja amparada por um comprovante fiscal, obtido no máximo no dia em que a empresa deve apresentar a declaração [10].
- Um fornecedor na lista definitiva do 69-B põe em risco os comprovantes da empresa. As operações dele são consideradas sem efeito fiscal. Quem lhes deu efeito tem 30 dias a partir da publicação para demonstrar que de fato recebeu os bens ou serviços, ou para corrigir a situação com declarações retificadoras [9].
Isto resume a lei para fins de medição. Não substitui a revisão do contador ou do consultor tributário da empresa.
Daí saem três indicadores muito mexicanos para a frente financeira. A construção é nossa, a partir dessas regras:
| Indicador | Que pergunta responde | De que sistemas sai |
|---|---|---|
| IVA em risco de creditamento | Quanto IVA pago não tem o comprovante ou o complemento de pagamento? | SAT + banco + sistema contábil |
| Saldo recebido sem complemento | Que notas a prazo já recebi e ainda não documentei? | SAT + banco + contas a receber |
| Gasto com fornecedores na lista definitiva do 69-B | Quanto do que deduzo eu teria de defender ou corrigir em 30 dias? | SAT + contas a pagar |
Nenhum sai de um sistema só. Se hoje alguém os monta à mão a cada fechamento, aí está o calcanhar de Aquiles.
Quão longe a empresa está? Um diagnóstico com limiares
Se um indicador chega uma semana atrasado ou é montado à mão por uma pessoa, trate-o como sinal vermelho.
Use esta tabela na próxima reunião. Os limiares marcados como orientativos são critério nosso.
| Sinal | Verde | Vermelho | De onde sai o limiar |
|---|---|---|---|
| Número de indicadores da diretoria | Poucos, e com cada um se tomou uma decisão no último trimestre | Mais de 20, ou ninguém sabe quantos são | Orientativo; os autores descrevem scorecards de 15 a 20 por unidade de negócio [3] |
| Dias para fechar o mês, do balancete de verificação às demonstrações consolidadas | 4,8 ou menos (os 25% melhores) | 10 ou mais (os 25% piores); a mediana é 6,4 | APQC, referência internacional de 2018, 2.300 organizações [12] |
| Atraso do painel em relação à reunião | Chega antes da reunião | Chega uma semana depois, ou mais | O caso ECI [1] |
| Definição de cada indicador | Escrita e única | Cada área calcula a própria | O caso ECI [1] |
| Sistemas a cruzar à mão por indicador | Zero | Dois ou mais | Orientativo |
| Indicadores fiscais | São revisados toda semana | São descobertos no fechamento ou em uma fiscalização | Orientativo |
Um dado do México para calibrar: segundo o INEGI, com dados de 2017, 28,2% das pequenas e médias empresas mexicanas acompanhavam de três a cinco indicadores-chave e só 8,8% acompanhavam dez ou mais [11].
Poucas empresas medem muito. Se a empresa acompanha poucos indicadores, o desafio não é cortar: é escolher bem esses poucos e fazer cada um se sustentar. Se ela está nos 8,8%, comece cortando.
O que quebra nos sistemas e o que convém decidir antes?
Cada frente quebra em um sistema diferente, e cada uma pede uma decisão de tecnologia antes de comprar qualquer painel.
A tabela é critério nosso, não do modelo.
| Frente | O que quebra | Decisão que convém tomar antes |
|---|---|---|
| Financeira | Vendas, faturamento e cobrança vivem em sistemas diferentes; o fechamento é acertado em uma planilha | Que faturamento, banco e contabilidade troquem dados sem digitação manual, com a confirmação de cada envio |
| Financeira (México) | Os CFDI são baixados à mão e os que faltam são descobertos no fechamento | Baixar do SAT de forma contínua e conciliar comprovantes contra banco e contabilidade toda semana |
| Cliente | «Cliente», «pedido» e «entrega no prazo» significam coisas diferentes em vendas e na logística | Um cadastro único de clientes e uma definição escrita de cada status do pedido |
| Processos | Os tempos de cada etapa não são registrados; são reconstruídos depois | Que cada sistema registre quando cada coisa aconteceu e por que falhou, se falhou |
| Aprendizado | As avaliações vivem em formatos soltos | Ligar metas e avaliações aos mesmos objetivos que a diretoria mede |
Note que nenhuma dessas decisões é «compre uma ferramenta de business intelligence». Primeiro, que os sistemas passem os dados sozinhos; depois, se for preciso, a tela.
Quais erros saem mais caros?
Os erros caros não são técnicos: são decisões de diretoria tomadas na ordem errada.
- Comprar o painel antes de ter a fonte. Consequência: uma tela nova que alguém alimenta com a mesma planilha de costume. Brady já alertava sobre isso em 1993 [3].
- Medir tudo. Consequência: dezenas de indicadores e nenhuma decisão. É o que aquele executivo chamava de programa «mate mais uma árvore» [1].
- Deixar que cada área defina o próprio indicador. Consequência: três números de vendas na mesma reunião. Em um banco que os autores chamam de Metro Bank, os 25 diretores concordavam com a frase da estratégia, mas cada um tinha a própria definição do que era um serviço superior [4].
- Acreditar que a operação no verde assegura o dinheiro. Consequência: a empresa de 1987 a 1990, com a qualidade multiplicada e a ação a um terço [1]. Os autores dizem sem rodeios: nem o melhor conjunto de indicadores assegura uma estratégia vencedora [1].
- Pagar bônus com dados que ninguém consegue rastrear. Consequência: discussões sobre o número em vez de sobre o desempenho. Ao descrever uma petroleira que ligava 60% do bônus dos executivos a quatro indicadores financeiros, os autores perguntam se a empresa tem dados válidos e confiáveis para esses indicadores [4].
- Delegar só à controladoria. Consequência: mais um relatório. Quando os controllers e vice-presidentes de finanças da pesquisa original o levaram para as empresas deles, descobriram que não podiam implantá-lo sem a alta direção [1].
- Esperar resultados em um trimestre. Consequência: abandoná-lo antes que funcione. No caso de uma seguradora que descrevem, o sistema completo foi construído passo a passo em 30 meses [4].
- Deixar o fiscal de fora. Consequência no México: IVA em risco de não poder ser creditado porque falta o comprovante ou o pagamento não está documentado [8][9], ou deduções com um fornecedor da lista definitiva do 69-B que será preciso defender ou corrigir em 30 dias [9].
O que levar à reunião? A ficha de cada indicador
Nenhum indicador entra no painel sem uma ficha de nove campos; se um campo fica vazio, esse é o próximo projeto.
Esta ficha é nossa. Resume o que pedem Kaplan e Norton (poucos indicadores, ligados à estratégia e aos sistemas [1][3]) e o que o México exige.
| Campo | O que se escreve |
|---|---|
| 1. Indicador | Nome curto |
| 2. Pergunta que responde | Em palavras de negócio |
| 3. Frente | Financeira, cliente, processos ou aprendizado |
| 4. Definição | A fórmula exata, com o que entra e o que não entra |
| 5. Sistema de origem | De onde sai cada dado (sistema contábil, banco, SAT, ponto de venda…) |
| 6. É digitado à mão? | Sim ou não; se sim, quantas horas por mês |
| 7. Responsável | Uma pessoa, com nome |
| 8. Frequência e dia de entrega | Semanal, mensal; em que dia chega |
| 9. Limiar vermelho | A partir de que valor se age, e quem age |
Cenário de exemplo (números ilustrativos, não de uma empresa real): assim ficaria uma ficha preenchida.
| Campo | Valor |
|---|---|
| Indicador | IVA em risco de creditamento |
| Pergunta | Quanto do IVA que pagamos está em risco de não poder ser creditado hoje? |
| Frente | Financeira |
| Definição | IVA de notas de fornecedores pagas no mês, em três montantes: (a) sem CFDI, compras pede ao fornecedor; (b) sem complemento de pagamento, contas a pagar pede; (c) de fornecedores na lista definitiva do 69-B, o contador revisa. Quem a define e valida é o contador |
| Sistema de origem | Download do SAT + extrato bancário + contas a pagar do sistema contábil |
| É digitado à mão? | Hoje sim: 12 horas por mês |
| Responsável | Controller |
| Frequência | Semanal, toda segunda-feira |
| Limiar vermelho | Mais de 150.000 pesos no total: a controller repassa cada montante ao respectivo responsável naquela semana |
Preencha a ficha para os cinco indicadores mais importantes da empresa. As células vazias das linhas 4, 5 e 6 são a lista de projetos de sistemas, em ordem.
Por onde começar na segunda-feira?
Comece por cinco indicadores, não por vinte, e pelo que mais custa horas de digitação manual.
- Peça a lista de todos os indicadores que hoje chegam à diretoria. Conte-os. Se passarem de 20, já são mais do que os autores descrevem para toda uma unidade de negócio [3]: a primeira decisão é cortar.
- Escolha cinco, pelo menos um por frente. Pergunte, para cada um: «que decisão tomei no mês passado com este número?». Se ninguém lembrar de uma, ele sai da lista.
- Preencha a ficha desses cinco com quem os monta hoje. Não com quem os apresenta.
- Meça o atraso: quantos dias depois do fechamento chega cada um? Compare com a tabela do diagnóstico.
- Ordene os projetos por horas de digitação manual e por risco fiscal. O primeiro da lista é o primeiro que convém conectar.
Para levar
Três perguntas para o próximo comitê diretivo:
- Quantos indicadores revisamos aqui e que decisão tomamos com cada um no último trimestre?
- Dos nossos cinco indicadores principais, quantos uma pessoa monta à mão cruzando dois ou mais sistemas?
- Quanto IVA pago está em risco de não poder ser creditado, e sabemos disso toda semana ou descobrimos no fechamento?
O que a Hábil faz
A Hábil faz engenharia de sistemas críticos desde 2006. Não fazemos painéis de indicadores: trabalhamos no que vem antes, fazer com que os sistemas de onde saem os números da empresa conversem entre si, para que os indicadores cheguem a tempo e com a mesma definição.
No que este artigo conta, são duas coisas:
- Cuadre, para a frente fiscal. O Cuadre revisa de forma contínua o que os fornecedores faturam para a empresa. Baixa do SAT os CFDI que a empresa emite e recebe, incluídos os complementos de pagamento, e concilia em três frentes: complementos contra notas, com o saldo de cada uma; o que diz o SAT contra o que o sistema contábil registrou; e os depósitos do banco contra os CFDI, com o extrato bancário que a empresa carrega. Mostra que complemento falta pedir para documentar o pagamento do qual depende o IVA creditado, e deixa à vista o que não bate para resolver antes do fechamento. Conheça o Cuadre em habil.mx/pt/cuadre.
- Integrar os sistemas. Conectamos o ERP, o faturamento, os bancos e os canais da empresa, com cada operação entre sistemas registrada com a resposta, o horário e o motivo, se falhou. Assim, vendas, faturamento e cobrança podem deixar de ser três números. Veja a página Integração e APIs.
Para o detalhe de por que um complemento de pagamento desequilibra o fechamento, leia Complemento de pagamento e cancelamentos.
Se a ficha foi preenchida e ficaram células vazias, comecemos por aí. Peça a primeira conversa, sem custo. Revisamos juntos de que sistemas saem os cinco indicadores principais da empresa, e a empresa leva o mapa das conexões entre os sistemas e dos pontos onde provavelmente se perde dinheiro, tempo ou rastreabilidade. Escreva-nos pelo WhatsApp.
Perguntas frequentes
O que é o balanced scorecard?
É o modelo que Robert Kaplan e David Norton publicaram na Harvard Business Review em janeiro–fevereiro de 1992: um conjunto pequeno de indicadores em quatro frentes (financeira, cliente, processos internos e aprendizado) que complementa as finanças com sinais do que vem pela frente [1][2].
É o mesmo que um painel de business intelligence?
Não. O balanced scorecard é uma forma de decidir o que medir e para quê. Um painel é só uma tela. Um executivo que o usou alertou justamente contra confundi-lo com um sistema de informação grande e caro [3].
Quantos indicadores ele deve ter?
Os autores descrevem scorecards de 15 a 20 por unidade de negócio [3]; é uma descrição, não um teto nem um mínimo. Para começar, cinco bem sustentados valem mais que vinte montados à mão.
O que é um mapa estratégico?
É um modelo visual, proposto pelos mesmos autores em 2000, que ordena os objetivos das quatro frentes [13]. Serve para explicar a estratégia; não substitui os dados.
É preciso um ERP para ter um balanced scorecard?
Não necessariamente. O que é preciso é que cada indicador tenha um sistema de origem confiável e que os sistemas que devem ser cruzados troquem dados sem digitação manual. Às vezes isso é um ERP comum; às vezes é conectar os sistemas que a empresa já tem.
Fontes consultadas em 22 de outubro de 2026. As paráfrases dos artigos de Kaplan e Norton são nossas; a única citação textual é um trecho breve, em inglês, do artigo de 1992.
Referências
- Robert S. Kaplan e David P. Norton, «The Balanced Scorecard—Measures that Drive Performance», Harvard Business Review, janeiro–fevereiro de 1992 (reimpressão 92105). https://hbr.org/1992/01/the-balanced-scorecard-measures-that-drive-performance-2
- Harvard Business School, Faculty & Research, ficha de «The Balanced Scorecard: Measures that Drive Performance», Harvard Business Review 70, nº 1 (janeiro–fevereiro de 1992): 71–79. https://www.hbs.edu/faculty/Pages/item.aspx?num=9161
- Robert S. Kaplan e David P. Norton, «Putting the Balanced Scorecard to Work», Harvard Business Review, setembro–outubro de 1993 (reimpressão 93505); inclui a entrevista de Kaplan com Larry D. Brady (FMC). https://hbr.org/1993/09/putting-the-balanced-scorecard-to-work
- Robert S. Kaplan e David P. Norton, «Using the Balanced Scorecard as a Strategic Management System», Harvard Business Review, 1996; reedição de julho–agosto de 2007. https://hbr.org/2007/07/using-the-balanced-scorecard-as-a-strategic-management-system
- Robert S. Kaplan, «Conceptual Foundations of the Balanced Scorecard», Harvard Business School, documento de trabalho 10-074, 2010. https://www.hbs.edu/research/pdf/10-074.pdf
- Servicio de Administración Tributaria, «Contribuyentes emiten más de 10 mil millones de facturas electrónicas en 2023», comunicado 18-2024, 29 de fevereiro de 2024. https://www.gob.mx/sat/prensa/contribuyentes-emiten-mas-de-10-mil-millones-de-facturas-electronicas-en-2023-018-2024
- El Contribuyente, «SAT rompe récord: ¡327 facturas por segundo durante 2023!», 1º de março de 2024. https://www.elcontribuyente.mx/2024/03/sat-rompe-record-327-facturas-por-segundo-durante-2023/
- Ley del Impuesto al Valor Agregado, artigos 1o (alíquota de 16%) e 5o, incisos I a IV (Cámara de Diputados, última reforma publicada no DOF em 12 de novembro de 2021). https://www.diputados.gob.mx/LeyesBiblio/pdf/LIVA.pdf
- Código Fiscal de la Federación, artigos 29-A (inciso VII, alínea b), 69-B, 83 (inciso VII) e 84 (inciso IV, alínea a, multa atualizada no DOF de 28 de dezembro de 2025) (Cámara de Diputados, última reforma publicada no DOF em 9 de abril de 2026). https://www.diputados.gob.mx/LeyesBiblio/pdf/CFF.pdf
- Ley del Impuesto sobre la Renta, artigo 27, incisos III e XVIII (Cámara de Diputados, última reforma publicada no DOF em 1º de abril de 2024). https://www.diputados.gob.mx/LeyesBiblio/pdf/LISR.pdf
- INEGI e Secretaría de Economía, «Encuesta Nacional sobre Productividad y Competitividad de las Micro, Pequeñas y Medianas Empresas (ENAPROCE) 2018», comunicado de imprensa 448/19, 2 de setembro de 2019. https://www.inegi.org.mx/contenidos/saladeprensa/boletines/2019/especiales/enaproce2018.pdf
- Perry D. Wiggins, «Metric of the Month: Cycle Time for Monthly Close», CFO.com, 5 de março de 2018 (dados da APQC). https://www.cfo.com/news/metric-of-the-month-cycle-time-for-monthly-close/659297/
- Robert S. Kaplan e David P. Norton, «Having Trouble with Your Strategy? Then Map It», Harvard Business Review, setembro–outubro de 2000. https://hbr.org/2000/09/having-trouble-with-your-strategy-then-map-it
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